quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O uso/abuso das drogas/álcool, transformam o caráter/personalidade, ou a personalidade/caráter é que levam ao uso/abuso das drogas?

Diariamente em contato com os DQs (dependentes químicos) residentes em nossa Comunidade Terapeutica, pude observar que o perfil do usuário é semelhante. As amostragens nos dão a leitura de que os históricos familiares são aproximados em vários perfis apresentados.

O perfil do residente "a" do ano "x" é muito próximo ao perfil do residente "b" do ano "y", sem que nunca estivessem juntos, ou morassem na mesma cidade, e que o tempo de residencia foi diferente, porém a resposta ao tratamento foi bem parecida. Não há semelhança física, mas o "a" lembra o "b", e acaba norteando o atendimento, na tentativa de maior eficácia.

Diante de todas as pragmáticas, talvez possamos tabular algumas informações.

Mas o que realmente me intriga é que na maioria das vezes, estamos ensinando ao residente a esquivar-se de situações de risco que possam levá-lo ao uso novamente da droga ou seja fugindo dos leões.
Porém quando este recebe a alta terapeutica, é lançado à cova dos leões.
Local em que ele foi de alguma maneira mal-amado-interpretado-conduzido-educado. Sem sombra de dúvida, o habitat do residente e dos seus, terá que sofrer acompanhamento e reavaliações constantes.

Todos terão que reaprender a viver com essa doença que é a dependencia química.

Simplesmente trancar o DQ numa CT, com o entendimento que o problema é só ele, não tem resultado positivo. Todos tem que ser tratados.

Quando o DQ receber a alta terapeutica, ele provavelmente terá novos hábitos, tentará reconquistar a confiança de todos, dará início a uma nova vida.

A família não pode cometer o erro crasso de que o DQ terá o mesmo comportamento antes de ser viciado, que ele simplesmente deixará de usar a droga.

Não bastasse a mal-educação recebida, agora tem ele as sequelas do uso da droga. A CT não é uma máquina onde por um lado se enfia o DQ e do outro lado sai o ex-DQ perfeito.

Ele sai como era, porém instruído a resignificar sua vida detectar os sinais de perigo frente ao vício.

Não há mágica, o êxito do tratamento está vinculado a muito esforço e participação de todos os envolvidos.

Muito há que se fazer na prevenção infantil, pricipalmente na família, a fim de evitar o desejo de envolvimento com as drogas, visto que basta uma única vez para ficar viciado.

Cuidemos de nossas crianças, elas são nosso futuro.

Seremos cuidados por quem?

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