sábado, 17 de julho de 2010
O equívoco da liberalização da maconha
SEGS - Portal Nacional Seguros & Saúde - ABEADDe tempos em tempos a discussão ganha espaço; A Abead alerta para seus malefícios e implicações
A equivocada convenção social de que existem drogas “leves” representa um grande problema de saúde pública. Medidas restritivas contra o álcool e o tabaco tentam colocar a imagem dessas substâncias em seu devido lugar: como a de verdadeiras drogas, com implicâncias severas na saúde coletiva e consequências em toda a sociedade, como acidentes de trânsito e violência doméstica, para citar apenas estes.Em situação semelhante encontramos a discussão sobre a liberalização da maconha, que veio à tona nesta semana com a divulgação de posicionamento da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento favorável à liberalização da erva para uso medicinal.A Abead (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas) alerta para os riscos de uma medida como essa, a começar pelo fato de que a maconha é uma das principais portas de entrada para o consumo de outras drogas, assim como ocorre com o tabaco, principalmente entre os jovens.
De acordo com o presidente da Associação, o psiquiatra Carlos Salgado, argumentos como o de que a maconha poderia ter fim medicinal não justiçam liberalização. “Existem alternativas para o controle de dor ou de apetite, por exemplo, que não implicam no uso da substância ou extrato. Temos várias opções bem estabelecidas, até para pacientes terminais”, comenta.“Discutir a liberalização da maconha é ir na contramão das políticas essenciais e urgentes para a prevenção do uso de drogas. A maconha não é uma droga benigna. Não está isenta de riscos. Além da dependência, pode causar câncer de cabeça, pescoço e pulmão e uma série de outras complicações”, diz o psiquiatra, com a estimativa de que um em 10 daqueles usuários de maconha tornam-se dependentes em algum momento do seu período de quatro a cinco anos de consumo pesado.Outra grande preocupação constitui no número cada vez maior de figuras públicas que admitem e defendem o consumo. “Essas pessoas são tidas como modelo, em especial para os jovens, e acabam por reforçar estigmas entre música, fama, arte e o consumo de drogas”, comenta Salgado.Atualmente a maconha é um grande problema de saúde pública no mundo inteiro, por ser a droga mais consumida entre as ilícitas. Por isso, é importante que não fiquem margens para que pareceres e opiniões sejam interpretados de maneira equivocada, validando o consumo de drogas ilícitas.As políticas públicas de combate às drogas e tratamento de dependentes, além do envolvimento da sociedade, são fundamentais para avanços. “Concordamos com a distinção entre quem comercializa a droga e o usuário, que necessita de tratamento, mas isso não pode justificar a liberalização. Se esse fosse o caso, teríamos que liberar qualquer substância que o próprio usuário produzisse? É no mínimo preocupante”, finaliza Carlos Salgado.Efeitos da maconhaOs efeitos da intoxicação aparecem após alguns minutos do uso. Déficits motores, como o prejuízo da capacidade para dirigir automóveis, e cognitivos, como a perda de memória de curto prazo, costumam acompanhar a intoxicação. Além disso, consumo de maconha pode desencadear quadros temporários de natureza ansiosa, tais como reações de pânico, ou sintomas de natureza psicótica.Complicações crônicasA dependência é uma das complicações crônicas do uso de maconha, apesar de não atingir a maioria de seus usuários. Os sintomas de abstinência mais relatados são irritabilidade, nervosismo, inquietação, fissura e sintomas depressivos, insônia, redução do apetite e cefaléia. O consumo prolongado e intenso de maconha é capaz de causar prejuízos cognitivos envolvendo vários mecanismos de processos de atenção e memória. O uso em indivíduos predispostos pode desencadear quadros psicóticos similares à esquizofrenia. O consumo de maconha em indivíduos predispostos está associado ao aparecimento de sintomas psicóticos, em alguns casos definitivos. Quanto ao aparelho reprodutor, há redução reversível do número de espermatozóides.Efeitos psíquicos* Letargia e sonolência* Euforia, bem-estar e relaxamento* Risos imotivados* Aumento da percepção de cores, sons, texturas e paladar* Sensação de lentificação do tempo* Afrouxamentos da associações* Prejuízo da concentração e memóriaEfeitos físicos* Hiperemia das conjuntivas (olhos avermelhados)* Aumento dos batimentos cardíacos* Boca seca* Retardo e incoordenação motora* Piora do desempenho para tarefas motoras e intelectuais complexas* Broncodilatação* Tosse* Aumento do apetite (‘larica’)
domingo, 4 de julho de 2010
Futebol, patriotismo e cerveja
| Futebol, patriotismo e cerveja | | | |
Por Lilia Diniz. Observatório da Imprensa
Copa do Mundo, a maior festa esporte no Brasil. Em frente à TV, milhões de telespectadores de todas as idades torcem entusiasmados pela seleção brasileira. Dentro dos gramados, nossos craques vendem saúde e... cerveja. Em 2010, a marca Brahma financia quatro jogadores brasileiros e é uma das patrocinadoras oficiais Copa do Mundo realizada na África do Sul. A venda da bebida é lícita e o hábito de acompanhar os jogos de futebol com cerveja é um traço da cultura brasileira, mas é aceitável que um produto cujos malefícios são comprovados cientificamente associe a sua marca à pratica do esporte?
O Observatório da Imprensa exibido na terça-feira (15/6) pela TV Brasil discutiu a publicidade de bebida alcoólica em eventos esportivos com a presença de dois convidados no estúdio de São Paulo. Erich Beting, diretor da Máquina do Esporte, empresa de cobertura dos negócios do esporte no Brasil e comentarista do canal BandSports é consultor editorial da Universidade do Futebol. Ronaldo Laranjeira é professor titular de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo e coordenador do Instituto Nacional de Políticas do Álcool e Drogas (INPAD) do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq). É PhD em psiquiatria pela Universidade de Londres.
O jornalista e apresentador Alberto Dines explicou que a produção do Observatório entrou em contato com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para saber como a entidade avalia a associação da seleção brasileira com uma marca de cerveja e a assessoria de imprensa garantiu que o time não tem nenhuma bebida alcoólica entre seus patrocinadores. Dines ponderou que a resposta é "curiosa", uma vez que o treinador Dunga e outros jogadores aparecem em comerciais com a camisa amarela.
Patrocina ou não?
O mediador do programa destacou que a explicação fica mais inconsistente porque o site da Brahma assegura que a marca é uma das patrocinadoras oficiais da seleção. O Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar) também foi convidado para o debate, mas não pode participar e enviou uma nota (ver íntegra abaixo) na qual afirma que a entidade veta a associação de marcas de bebidas alcoólicas a uniformes de esportes olímpicos e quaisquer apelos que sensibilizem diretamente o público menor de idade.
Em editorial, Alberto Dines ressaltou que quem manda fora dos gramados é a cerveja. "O anúncio de cerveja não é uma peça subliminar, disfarçada: o anúncio de cerveja é concebido para estimular diretamente o consumo da bebida, bebida alcoólica. E, ao associá-la à sensação de alegria e triunfo, emite-se uma mensagem clara: seja um vitorioso também, tome a sua cervejinha ao lado de uma estonteante morena brasileira ou loura importada." Dines sublinhou que o Conar só obedece a uma lei: "crescer sem controles e sem regulação".
A reportagem exibida pelo Observatório entrevistou Robert Galbrait, repórter especial da revista Meio e Mensagem. Galbrait explicou que em 2006 "toda a visibilidade" era concentrada na marca de cerveja Budweiser. Mas, depois da última Copa, o mercado das cervejas ficou mais complexo e a Ferderação Internacional de Futebol Associado (Fifa) precisou mudar o contrato. "A Inbev Anheuser-Busch virou o grande conglomerado mundial das cervejas, de maneira que o marketing desta nova corporação decidiu rever o acordo com a Fifa para fazer com que todas as suas marcas pudessem ser exibidas com este contrato de patrocínio", explicou.
Seleção guerreira
De acordo com o novo contrato, as marcas exibidas nas placas dos estádios durante os jogos serão as comercializadas nos países que estão em campo. Com isso, a Brahma pode entrar no time das marcas que serão exibidas na Copa. No Brasil, a marca de cerveja lançou sua campanha antes do início do torneio. Na peça publicitária veiculada pela televisão, Dunga e a seleção eram apresentados como "guerreiros".
Para Eduardo Tironi, diretor-executivo de Mídias Digitais do diário Lance!, o futebol brasileiro é "mais artístico" e, por isso, bem diferente do apresentado na propaganda. Tironi avalia que o fato de o técnico Dunga – que na sua vida pessoal e na atuação como comandante da seleção sempre buscou valorizar aspectos como "retidão, compromisso e patriotismo" – fazer propaganda de cerveja o deixa em uma posição contraditória. "Ao mesmo tempo em que o Dunga não aceita indisciplina em seu grupo, quer dedicação total, quer treinamento, exige ao máximo de seus comandados, ele faz propaganda de um produto que vai um pouco na contramão disso que ele prega", avaliou.
O desembargador Aloísio de Toledo César se disse "horrorizado" com o que acompanha pela televisão e criticou o fato de os jogadores, e principalmente o técnico Dunga, receberem altas quantias para fazer publicidade de bebida alcoólica. Já Robert Galbrait minimizou o impacto da publicidade: "Sinceramente, eu não consigo acreditar que uma criança vá ver uma marca – Brahma – e associar com o consumo de álcool".
Ilana Pinsk, vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), avalia que a ligação do álcool com o esporte "não tem sentido" porque uma pessoa que consuma exageradamente o produto não terá capacidade de apresentar um bom desempenho no esporte.
A palavra da Ambev
Milton Seligman, diretor de relações corporativas e comunicação da Companhia de Bebidas da Américas (AmBev), disse que a empresa assina os comerciais da Brahma, que é patrocinadora, mas no uniforme da seleção usa a marca de um refrigerante. "Cervejas patrocinam times de futebol no mundo todo. No caso da companhia, nós patrocinamos a seleção brasileira e a seleção argentina. Na verdade, há muitos anos, a Quilmes patrocina a seleção da argentina e há dez anos a Ambev patrocina a seleção brasileira. Na camisa do Brasil, à exceção da grande maioria dos países e seguindo rigorosamente a autorregulamentação, nós usamos a marca Guaraná Antártica", ponderou.
Seligman destacou que as pesquisas mostram que o futebol – tanto em termos de audiência pela TV quanto em relação ao público que assiste às partidas nos estádios – é um esporte acompanhado majoritariamente por adultos; por isso, não há problema em fazer propaganda de álcool ligada ao futebol. Sobre o horário em que os comerciais são veiculados, Seligman afirmou que a bebida é anunciada em programas dirigidos ao público adulto, independente da hora em que são transmitidos. O uso de ídolos do esporte em comerciais de bebida é válido, na opinião de Seligman, desde que a publicidade não seja dirigida diretamente ao público infantil ou aos jovens.
No debate ao vivo, Dines pediu a opinião do psiquiatra Ronaldo Laranjeira sobre as afirmações de que as crianças não associam a publicidade de uma marca de cerveja ao consumo de álcool e que o público do futebol é majoritariamente adulto. "É surpreendente. Eu não sei em que mundo essas pessoas vivem, em que bombardear todos os dias as nossas crianças com propaganda de cerveja não tem uma influência no seu comportamento", criticou Laranjeira. Na sua opinião, as pessoas que associam os símbolos nacionais com a propaganda de cerveja estão cometendo um crime contra os valores da sociedade brasileira, que se expressam claramente em um momento como a Copa do Mundo.
O papel do governo
Laranjeira chamou a atenção para o fato de que a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou recentemente uma resolução segundo a qual, dentro das políticas mundiais de combate ao consumo excessivo de álcool, é preciso restringir ao máximo as propagandas de cerveja. Estas causam impacto maior na parcela da população que ainda não desenvolveu um padrão de consumo: as crianças e adolescentes. Para Laranjeira, o Ministério da Saúde poderia utilizar a resolução da OMS para promover um debate público sobre o tema. Na visão do psiquiatra, o ministério perdeu a chance de ter um papel de liderança e de se opor à "venda de valores nacionais pela CBF".
Dines perguntou a Erich Beting se a publicidade de bebida alcoólica poderia ser banida do futebol da mesma forma como, no passado, a propaganda de cigarro foi proibida em eventos automobilísticos. Beting disse que o caminho é o próprio esporte negar este tipo de comercial e se colocar em uma posição de soberania. Segundo o jornalista, a CBF fatura mais de 200 milhões de reais em publicidade e o contrato com a AmBev não corresponde a 10% desta soma – portanto, a seleção brasileira não dependeria necessariamente deste patrocinador.
"Cabe ao esporte e às próprias empresas de comunicação não aceitarem esse tipo de publicidade ou colocar-se a serviço desse tipo de indústria. Perde-se um pouco de dinheiro, mas, sem dúvida, ganha-se em retorno de imagem, em retorno institucional e, mais do que isso, o apelo da população que é contra este tipo de associação", avaliou.
Por Lilia Diniz. Observatório da Imprensa
Brasil passa de consumidor a exportador de ecstasy
| Brasil passa de consumidor a exportador de ecstasy | | | |
Mercado de drogas sintéticas avança no país, que tem 1,65 milhão de usuários, segundo as Nações Unidas
Recentemente, o Brasil entrou no rol de fabricantes de ecstasy. Em 2008, o primeiro laboratório da droga, de pequena escala, foi descoberto no país, mais precisamente em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Na época, mil unidades foram apreendidas. No ano seguinte, um segundo laboratório, que produziu cerca de 2 milhões de comprimidos em pouco mais de um ano – quantidade três vezes maior que as 620 mil unidades apreendidas pela Polícia Federal entre 2002 e o ano passado –, foi fechado em Imaruí (SC). Neste ano, o país também entrou na lista dos “exportadores” da droga. Apreensões de ecstasy na Holanda, Suécia e França apontaram o Brasil como origem.
Aumento do consumo é tendência mundial
O Relatório Mundial de Drogas do Unodc indicou uma tendência global no aumento do consumo de anfetaminas. Em 2005 e 2006, o Brasil foi apontado pela Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife) como o maior consumidor mundial dessas substâncias com finalidade emagrecedora: 9,1 doses diárias para cada 1.000 habitantes.
Maconha é o entorpecente mais usado no mundo, segundo estudo da ONU
Com um crescimento expressivo, principalmente na América do Sul, a maconha continua a ser a droga mais utilizada em todo o mundo, de acordo com o relatório do Escritório sobre Drogas e Crime da Organização das Nações Unidas (Unodc). A droga é a mais apreendida no Paraná, principalmente por causa da ligação com o Paraguai, país que cultiva a droga.
Cocaína escondida em aparelhos eletrônicos
Um casal de europeus e quatro curitibanos foram presos ontem em Curitiba, pela Polícia Federal, acusados de fazer parte de uma quadrilha de tráfico internacional de drogas. O grupo escondia cocaína em equipamentos elétricos e mecânicos que eram exportados em navios para a Europa.
Rivaldo Venâncio, chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal no Paraná, no entanto, diz que o tráfico de ecstasy e LSD é de difícil rastreamento e praticado, normalmente, por jovens de classe média. “Existe um movimento no sentido do Brasil para outros países no qual se ‘exporta’ cocaína e os traficantes recebem como pagamento não dinheiro, mas drogas sintéticas”. Ele explica que a apreensão é difícil porque essas drogas são de pouco volume e os traficantes, de alto nível social, não se encaixam no perfil normalmente investigado pela polícia. “Facilmente se esconde 200 pontos de LSD junto à bateria de um telefone celular”, exemplifica.
Dependência
A fundadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), a psiquiatra Maria Theresa Aquino, diz que o atendimento a jovens usuários de ecstasy aumentou muito tanto no núcleo quanto no seu consultório. “Mas a quantidade de dependentes da droga é ínfima”.
O coordenador científico do Programa de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), Arthur Guerra de Andrade, confirma o baixo grau de dependência do ecstasy em relação a outros entorpecentes. “Isso ocorre porque o uso dessa droga acontece em momentos específicos, dispersos, como as festas de fim de semana. Ninguém toma uma ‘bala’ (outro nome pelo qual o ecstasy é conhecido) e vai trabalhar.” O uso frequente da droga nos ditos momentos de lazer, no entanto, provoca dificuldades em se manter uma vida regrada, com consequências sociais, como a perda do emprego.
O psicólogo do Centro Psiquiátrico Metropolitano, referência para Curitiba e região, Vasco Carneiro dos Santos Filho, diz que em 30 anos de atuação atendeu dois casos de dependência de anfetaminas. “Há também os casos de associação de drogas. É muito difícil achar um usuário puro.”
Efeitos
O ecstasy é comercializado sob a forma de comprimido ou cápsula, geralmente com um símbolo gravado, sendo conhecido, entre outras nomenclaturas, por E, XTC, Adão e Eva, Pastilha. É como um medicamento sem controle de qualidade. Repetir uma dose que “não deu em nada antes” não significa estar seguro, já que a formulação pode ser totalmente diferente.
Sintetizado e patenteado em 1914, inicialmente como moderador de apetite, o ecstasy tem seu efeito alucinógeno caracterizado por alterações na percepção do tempo, diminuição da sensação de medo, ataques de pânico, psicoses e alucinações visuais, e provoca efeitos estimulantes como o aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial, boca seca, náusea, sudorese e euforia. Segundo os especialistas, essa combinação de efeitos pode levar a problemas como desidratação e hipotermia.
No caso do LSD, a experiência do usuário é bastante particular. Alucinógeno poderoso, com alguns microgramas tem-se uma gama de alterações, que dependem da história de vida e das expectativas de cada indíviduo. “Enquanto alguns experimentam um estado de excitação e atividade, outros tornam-se quietos e passivos. Sentimentos de euforia e excitação alternam-se com episódios de depressão, ilusões assustadoras e sensação de pânico”, explica o psiquiatra e pesquisador Luiz Renato Carazzai.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Álcool ameaça 22% dos universitários
| Álcool ameaça 22% dos universitários | | | |
"Quanto mais precoce o uso, maiores as chances de dependência", diz um dos responsáveis pelo levantamento
Folha de São Paulo - LARISSA GUIMARÃES
DE BRASÍLIA
Um em cada cinco universitários brasileiros (22%) está sob risco de desenvolver dependência de álcool, de acordo com o mais recente levantamento realizado em universidades públicas e privadas do país.
O risco é considerado moderado para 19,2% e elevado para 2,6%, segundo a pesquisa encomendada pela Senad (Secretaria Nacional Antidrogas). Para o estudo, foram entrevistados cerca de 18 mil estudantes, nas 27 capitais do país em 2009.
O risco foi calculado levando em conta um teste desenvolvido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre frequência e consumo pesado de bebidas.
O levantamento também mostrou que o per igo quanto a uma possível dependência de álcool é maior para os homens (29%) do que para as mulheres (16%).
"Quanto mais precoce o uso de álcool, maiores as chances de desenvolver uma dependência alcoólica", disse o médico Arthur Guerra, um dos responsáveis pelo levantamento.
Os dados revelam que o jovem brasileiro começa a beber cedo -80% dos universitários com menos de 18 anos responderam já ter consumido bebida alcoólica.
Além disso, dentro das faixas etárias, os jovens de 18 a 24 anos são os que mais bebem.
O consumo pesado (cinco ou mais doses para homem e quatro ou mais doses para mulheres, num período de duas horas) atinge um patamar preocupante.
Um em cada quatro universitários afirmou ter bebido nesse padrão nos 30 dias anteriores ao teste.
sábado, 29 de maio de 2010
Atração pelas drogas
A Organização Mundial da Saúde apresenta cinco razões básicas pelas quais os jovens podem ser atraídos às drogas:
Desejar sentir-se adultos e tomar suas próprias decisões
Desejar ser “populares” entre os colegas ou num grupo
Desejar relaxar e sentir-se bem
Desejar correr riscos e rebelar-se
Desejar matar a curiosidade
Por que os adolescentes experimentam substâncias?
Por pressão dos iguais, por curiosidade, por imitação, como manifestação de independência, rebelião, ou com a intenção de fazer uma “figura importante”.
As empresas tabagistas estimulam o uso através de modelos juvenis atraentes em ações e paisagens excitantes.
Consomem álcool porque “todo mundo bebe”, “eu gosto, é divertido”, “ajuda-me a relaxar”, “tira-me a timidez”, “estou mal, serve- me para escapar do sofrimento”, “por que não, além do mais nem bebo tanto”.
Quem se encontra em situação de risco?
“Todos os adolescentes”. O fumo, o álcool e as drogas estão disponíveis, e a maioria dos jovens são objeto de pressão para o início de seu uso. Sem dúvida, alguns adolescentes estão em maior risco do que outros.
Os três fatores mais importantes são a história familiar, o uso por parte dos pais e certas características individuais.
História familiar de alcoolismo: indica predisposição genética, que é fator de risco + uso por parte dos pais, + atitude, educação e medidas disciplinares inconsistentes com relação ao uso de substâncias aos seus filhos.
Família socialmente isolada > o perigo de uso de substâncias e aumenta o índice de abuso físico e sexual ou de fuga do lar.
Outros fatores familiares predisponentes são o estresse causado por uma separação, divórcio, novas uniões conjugais, desemprego e doença ou morte de um dos pais.
Muitos pais, porém, não enxergam o perigo antes de ser tarde demais.
Ex. de uma garota brasileira.
“Ela tomava bebidas alcoólicas”, conta sua irmã Regina. “A família achava isso divertido e inofensivo. Mas isso a levou a experimentar drogas com seus namorados. Visto que meus pais sempre a trataram como se os problemas que ela causava fossem inconseqüentes, a situação fugiu ao controle. Vez por outra ela sumia de casa. E, sempre que encontrava uma jovem morta, a polícia telefonava para meu pai perguntando se era ela. Minha família sofria muito com isso.”
Pai ou parente próximo com abuso de substâncias ou dependência química
Fracasso ou dificuldades escolares
Baixo nível de auto-estima
Personalidade agressiva ou impulsiva
Instabilidade familiar, falta de supervisão
Miséria
História de abuso físico e sexual
Distúrbios psiquiátricos, especialmente depressão, bulimia e distúrbios de atenção
O Dr. Robert Du Pont, ex-diretor do Instituto Nacional de Abuso de Drogas dos Estados Unidos, recomenda 10 Regras para os pais:
1. Estabelecer um consenso familiar sobre o uso de substâncias: as regras devem ser comunicadas antes da puberdade. As crianças devem saber que seus pais esperam que na adolescência não fumem, não bebam, não usem maconha e outras drogas. Cada família deve estabelecer suas próprias regras, que devem ser repetidas com freqüência.
2. Estabelecer penalidades pelo não-cumprimento das regras: as punições não precisam ser nem repressivas, nem excessivas e devem ser anunciadas previamente e mantidas de forma consistente. Pode ser útil estabelecê-las com a participação dos filhos, no começo de sua adolescência. Exs: perda de privilégios, restrição ao uso do telefone, “proibição de sair de casa”, etc.
3. Dedicar algum tempo diário para conversar com os filhos a respeito do que está se passando em suas vidas, como se sentem e o que pensam. Deve-se deixá-los falar livremente, não é necessário ter respostas, mas escutá-los atentamente, respeitando suas experiências e sentimentos.
4. Ajudar os filhos a definirem objetivos pessoais: essas metas podem ser acadêmicas, esportivas e sociais. É importante ensinar os filhos a tolerar seus inevitáveis fracassos, que são oportunidades para crescer e não para desanimar.
5. Conhecer os amigos dos filhos: conhecer também os pais, encontrar-se com eles e compartilhar conhecimentos.
6. Ajudar os filhos a sentirem-se bem com suas próprias qualidades e com seus pequenos ou grandes êxitos: isto significa entusiasmar-se pelo que gostam.
7. Deve haver um sistema estabelecido para a resolução de conflitos: nem sempre os filhos estão de acordo com todos os regulamentos da casa. A melhor maneira de manter a autoridade é estar aberto aos questionamentos dos filhos. Um recurso útil é incluir a consultoria com uma pessoa respeitada por todos (outro membro da família, um médico, um vizinho, etc.).
8. Falar freqüentemente e muito cedo com os filhos a respeito de seu futuro: os filhos devem saber que o tempo que viverão com seus pais é limitado, pois se tornarão adultos, sairão de casa e, neste momento, deverão pagar suas contas e estabelecer suas regras. Enquanto estiverem na casa dos pais precisarão aceitar sua autoridade.
9. Deve-se desfrutar dos filhos: uma das maiores felicidades da vida é ter os filhos em casa. Tanto os pais quanto os filhos devem trabalhar para que o lar seja um ambiente positivo para todos. Isso significa trabalho de equipe e respeito mútuo.
10. Ser um pai/mãe “intrometido/a”: é importante fazer perguntas aos filhos, onde e com quem estão. Esta informação é necessária para que sejam pais efetivos.
sábado, 1 de maio de 2010
Quem é o Residente em recuperação ?
a) Mentira;
b) Incapacidade de administrar suas finanças;
c) Saúde debilitada;
d) Relacionamento familiar desestruturado;
e) Atençao exclusiva para outros DQ's.
Na internação, sem o uso de SPA's (substancias psicoativas), os residentes parecem ter atitudes angelicais. Porem, todas as caracetrísticas acima, são deflagradas durante a internação. E quanto mais cedo isso acontecer, maior será a eficácia da internação na vida do residente.
Se isto não ocorrer, apenas haverá o reestabelecimento físico do residente, o que não muda caráter, e voltará a mesma prática com maior intensidade, correndo risco de morte potencializado.
Não há uma receita definida, pois cada pesssoa é ímpar.
Somente haverá uma chance maior de controle da DQ, caso o residente tenha uma atitude franca e honesta consigo mesmo e com a equipe terapêutica.
Acreditando no tratamento sincero,
Osmar Gonçalves
sexta-feira, 19 de março de 2010
Reinternação = comida requentada?
Indicativo de que a 1ª Internação não foi eficaz, talvez não tenha sido assimilada.
Culpa de quem?
Dos que administram as terapias ou de quem sofre as intervenções terapêuticas.
Falta de Capacidade Terapêutica da Equipe de Atendimento ou falta de comprometimento do residente?
Das Terapias equivocadas ou da Internação em tempo equivocado ou indesejado?
Quantas indagações; quantas respostas indagativas.
A Reinternação somente passa a ter sabor de comida requentada caso haja reicindiva da doença por patologia definida.
Caso isto não ocorra, o entendimento é que a comida foi minusciosamente preparada, elaborada e servida em tempo hábilmente estipulado.
Que houve a ingestão por parte do paciente, mas que por vários motivos, alheios a vontade dos terapeutas e até mesmo dos pacientes, não foi absorvida pelo organismo e simplesmente houve o defecar de todo um trabalho, por mais árduo que tenha sido.
E que o paciente por não absorver, fica exposto, devido sua baixa imunodeficiencia às SPAs.
O prato SPa, é servido sem escrúpulos, visando somente a satisfação do paciente enquanto este puder suprir financeiramente o que ele mesmo avia.
Na comunidade terapeutica, temos o prazer de muitas vezes remexer nas fezes morais, psicológicas, onde não há mais integridade nem fôrma moral, até que por milagre, intervenção divina, boa terapia, ..., começem a brilhar tal como ouro.
Realmente é um labor-ministerial árduo de muita felicidade e que nos aproxima do criador, espetacularmente quando um cidadão fétido em suas emoções, caráter e valores, obtém alta terapeutica por estagnação da doença, tendo a opçaõ de realizar a manutenção consciente e franca de sua doença.
Que Deus continue a nos dar dons e talentos de amor por esta causa, por estas pessoas.
Na luta
Osmar Gonçalves
vosso servo
